terça-feira, 18 de novembro de 2008

Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social - Roberto Macedo – leitura.

Macedo procura entender as características e os fatos que levaram o plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social (1963-1965). Primeiramente há que se lembrar que o plano foi elaborado em apenas seis meses e em um contexto político difícil (1961> crise institucional, quando Jânio Quadros renúncia). Um plebiscito empossa João Goulart, acabando assim com o regime parlamentarista anteriormente introduzido.
Tratava-se de um plano de muitas generalidades. Havia falhas em seu diagnóstico, como a insistência na ISI. O plano realmente não alcançou seus objetivos. O plano previa uma inflação em 1963 de 25%, contudo a real foi de 78%. A meta de PIB era de 7% de crescimento, contudo o real foi de 1,6%. A meta da diminuição dos “meios de pagamentos” era de 34%, contudo a real foi de 65% (de expansão).
- O que aconteceu para que não se alcançassem
esses objetivos?
As metas principais do Plano eram; diminuir a inflação e recuperar o crescimento econômico. Foi feito um diagnóstico da economia brasileira para que pudessem ser traçados os objetivos. No que se refere no diagnóstico econômico, Macedo diz que houve uma falha, pois o plano insistiria na industrialização por substituição de importações, principalmente no setor de bens de capitais. Ele diz que foi uma falha porque o plano foi elaborado sob a euforia dos resultados econômicos do período entre 1957-1961. Para o autor, na época do plano trienal a ISI tinha atingido limites críticos (“já havia atingido a fase dos bens de capitais”), porque haveria de se investir na indústria de bens de capitais que precisam de economias de escala e um grande mercado consumidor (porque do contrário acarretaria maiores custos – há, portanto um contraste evidente com o pensamento de Hirschman). O plano constatou que faltava dinheiro nos cofres do governo também por um fator peculiar que acontecia na época do plano de metas. A principal fonte de financiamento do Plano de JK foi à diferença de cambio (havia múltiplas taxas de cambio).
- Ágio – se paga mais que a taxa real (penaliza importações de produtos acabados).
- Bonificação – se paga menos que a taxa real (bonifica a importação de insumos – não deixa de ser um subsidio).
- Ágio-bonificação + saldo positivo – entrava no orçamento do governo.No Plano de Metas em 1956 – correspondia 42% do orçamento e em 1961 – correspondia a apenas 2% = falta em caixa.
No que se refere ao diagnóstico da inflação, Macedo diz que foi bem simplificado. O plano demonstrou que o processo de substituição de importação era um processo inflacionário, pois aumentava a renda familiar, conseqüentemente à demanda, que por sua vez pressionava por mais importações, pois a indústria nacional não dava conta dessa demanda. Contudo, o plano não diagnosticou duas causas em que o setor externo causa inflação:
a) Depósitos compulsórios: os importadores deveriam comprar certificados do governo para poderem importar. Esses certificados possuíam um ágio elevado e os importadores repassavam esse custo para os consumidores = pressão inflacionária.
b) Na exportação os exportadores recebem em dólares, o governo brasileiro comprava esses dólares deles e colocava, portanto moeda nacional na economia = gera aumento da quantidade da moeda (sem correspondente produção = pressão inflacionária).
O Fracasso do Plano Trienal Além dos fatores citados que foram ou não considerados pelo diagnóstico do Plano, algumas mediadas tomadas pelo governo forma importantes para que tal plano fracassasse, a saber:
1- Elevação da taxa de juros;
2- Aumento da carga fiscal (para sanar o problema do déficit público – aumentar o caixa do governo). Para Macedo, se aumenta o imposto, prejudica-se a produção, pois aumenta o custo dos fatores de produção, portanto há um aumento dos preços.
3- A meta da diminuição do gasto público acarretou a corte de subsídios, o que acabou por aumentar os preços para os consumidores.
4- Captação de recursos no mercado de capitais: na época os títulos públicos eram de renda fixa, ou seja, não atualizavam de acordo com a inflação. Portanto, os titulo públicos não eram atraentes estávamos numa época de fortes processos inflacionários.
5- Procuram aumentar o crédito (com o intuito do aumento do PIB). Contudo aumentou-se o credito sem se aumenta a produção = pressão inflacionaria. (“rodar a maquininha”).

Terminando, o autor cita alguns fenômenos naturais que também prejudicaram o alcance das metas do Plano. Houve secas, geadas, incêndios que acabavam com as colheitas de vários produtos, inclusive o café. E isso acarretava prejuízo não só na agricultura como também nas industrias que dependiam desses insumos.
Há que se observar também de o ano de 1963 foi de grandes instabilidades política e social, alem disso o crescimento econômico não foi melhor também porque houve uma queda no investimento publico para conter a inflação. O autor termina: “mesmo falhando numa execução de uma política antiinflacionária e sem muitas condições de aturar sobre os investimentos, não se pode desprezar a contribuição do Plano Trienal”. Portanto o Plano foi uma experiência valiosa no campo de planejamento no Brasil: “em síntese, pode-se dizer que o Plano Trienal não alcançou realmente seus objetivos de promover o desenvolvimento e vencer a inflação. Mas sua contribuição foi ponderável na parte em que ele se propôs a intensificar o esforço de planejamento do país”.

Projeto o "caminho" de Oscar Niem[eye]r.



_do testo; MACEDO, Roberto Brás M. “Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social (1963-1965)”. In: LAFER, Betty Mindlin (Org.). Planejamento no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 1970.

_da imagem; http://jacoliveira.files.wordpress.com/2006/06/caminho-de-pincel.jpg


sábado, 15 de novembro de 2008

La Economía política de la industrialización a través de la substitución de importaciones en América Latina. - Albert O. Hirschman – in resumo 2.

[Texto 2ª] A fase de crescimento dos países fora da América Latina durou desde o século XIX até a Grande Depressão. Somente com o manifesto de Prebish é que a América Latina começou sua fase crescimento. O crescimento latino americano deu-se através do fortalecimento do mercado interno obtendo sucesso durante a década de 50, porém estancou nos anos 60. Apesar do suposto fim do crescimento, países como Venezuela, Equador e América Central obtiveram avanços econômicos através do aumento de exportações de produtos como o petróleo, bananas, farinha de pescado e algodão.Através do crescimento do mercado interno, surgem as indústrias e há uma redução gradual de produtos importados e aumento das exportações. Com isso, muitos países com uma política de desenvolvimento, começaram a gerar medidas protecionistas, através de crédito e política fiscal e pressões sobre as companhias importadoras estrangeiras para produzirem em nível nacional. Os controles pretendem que se continue importando apenas os bens mais necessários, eliminando o custo dos não essenciais para que desta maneira a produção interna seja lucrativa.A industrialização mais tardia nesses países consistiu a princípio em importação e imitação de processos já experimentados e seguros, por isto, as maiorias das novas indústrias se encontram no setor de consumo com processos conhecidos, a base de insumos e maquinarias importados. O processo de substituição dos produtos importados é realizado progressivamente até que o país tenha sua capacidade própria, porém, a industrialização muito tardia não trouxe os mesmos resultados da industrialização anterior em outros países, causando desilusão nos latino americanos que acreditavam que a industrialização seria um meio para modernizar e transformar suas sociedades. Há também o processo de industrialização que se inicia através da restrição das importações disponíveis, seja por causa de guerra ou problemas na balança de pagamentos. Nesse caso, os importadores nacionais e as empresas estrangeiras exportadoras são os principais promotores das empresas industriais. Além disso, na América Latina, os interesses industriais não trazem influencia política e prestigio social, talvez pelos tipos de indústrias características nas primeiras fases de industrialização, já que geralmente seus empresários só pretendem abastecer o mercado interno.Apesar de tudo, a industrialização tende a estagnar depois de seus primeiros êxitos e extravagâncias devido ao esgotamento de oportunidades fáceis da substituição das importações, deixando a economia com empresas industriais de custo alto e balanças de pagamento vulneráveis, já que agora as importações consistem em produtos e serviço indispensável para manter a produção com novas maquina e reparação das mesmas.Também são afetadas pela dificuldade, após a fase de substituição de importações, de se converterem em indústrias exportadoras. As causas disso devem-se a falta de aprendizagem, a ausência de inovações tecnológicas e ao clima pouco favorável para realizar investimentos em direção àquelas que fomentam as exportações. Além disso, a exportação enfrenta obstáculos institucionais e políticos, além dos meramente econômicos.

_do autor; Hirschman, Albert O. - La Economía política de la industrialización a través de la sustitución de importaciones en América Latina.

_das imagens; Obras de OSWALDO GUAYASAMÍN.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

La Economía política de la industrialización a través de la substitución de importaciones en América Latina. - Albert O. Hirschman – in resumo 1.

O objetivo de Heischman em seu artigo é tratar com outros olhos a problemática do processo de industrialização dos países latino americanos por substituição de impostações (ISI). O Brasil já tinha passado pelo Plano de Metas e pelo golpe de 64. Ele cita alguns autores latinos americanos que tinham uma visão positiva da ISA e depois passaram a ter uma visão negativa. Um deles é o Prebsch. Para ele as taxas de importações que os países latino-americanos tinham implantado para alcançar a ISI já tinham saído dos limites (alguns> 500%) - ao invés de explorar as oportunidades de mercado. Outro autor que muda de idéias é Celso Furtado (que pode ter sido em razão do golpe de 64). Para ele a fase fácil da ISI já tinha sofrido o processo de esgotamento. Ele então se pergunta por que a visão do processo da ISI passou a ser visto de forma negativa (“no inicio tudo soa flores”).
Para Hirschman o problema é que esses economistas (e nem mesmo os governos desses países) não consideraram os aspectos positivos e negativos desde o início. Portanto ele admite que a ISI desde o começo tenha aspectos positivos e negativos.
Quatro impulsos da industrialização por ISI;
1. Guerra e Depressão (diminuía as importações até por motivo de problemas de navegação – motivos físicos).
- Problemas no Câmbio (por exemplo, no Brasil: quando o café perdeu seu valor, a moeda perdeu se valor também. Houve então mais moeda nacional que internacional o que gerou a depreciação no Câmbio).
- Crescimento do Mercado Interno (por exemplo, no Brasil: café que introduziu uma massa de assalariados que não se via anteriormente).
- Políticas de desenvolvimento, onde os governos adotam medidas que possibilitam a ISI.
A ISI, por sua natureza, é divida em duas fases: uma inicial que seria fase fácil (produção de bens finais com insumos e maquinário importados) e uma fase difícil (produção de bens intermediários e insumos). Já na fase fácil alguns economistas já encheram problemas na ISI. Dizem que ela estimularia a produção de supérfluos. Contudo, para Hirschman, isso não é uma verdade, pois o único impulso que poderia estimular a sua produção seria o de problemas no cambio. Seria neutro no caso de guerras e em Políticas de desenvolvimentos, pois os governos optariam por produzir primeiramente produtos essenciais.
2. Características da fase inicial da ISI;
- A Industrialização por etapas bem diferenciadas: na fase fácil os países produzem bens finais com insumos e maquinarias importados. São, portanto processos conhecidos, de etapas bem diferenciadas, de imitação de processos já conhecidos (o que dá mais segurança). Isso seria um ponto positivo da ISI, pois foi um processo muito mais “manso” e menos desorganizador política e socialmente, do que nos países que sofreram a Rev. Industrial.
- A industrialização “tardia” vs. “muito tardia”: países como Alemanha, Itália e Rússia se industrializaram tardiamente e tiveram as seguintes características.
-quanto mais atrasada à economia de um país:
a) tem-se um mais empuxe da economia (mais rápido).
b) maior apoio a produção de bens de capital.
c) maior a pressão do consumo da população.
d) mais importantes as instituições especiais.
e) maior o papel do setor agrícola.
Para o autor essas característica (excetuando-se a ultima) não se aplica a praticamente nenhum país da ISI. Para ele o país que mais se aproximou foi justamente o Brasil. Portanto, o empuxe nos países sul-americanos não foi tão grande como nos países de industrialização tardia. O Brasil justamente se aproximou dessas características justamente na que diz respeito das instituições especiais, que foi o fator inflacionário e a ideologia desenvolvimentista. Ele disse que nas décadas de 50 e 60 pode se vir “um milagre econômico” que a década de 70 veio “desmentir”.
Para ele o problema é querer aproximar esses países dos que tiveram a industrialização tardia. Ele diz que os países da ISI têm suas particularidades em relação aos outros e que por isso aquela euforia inicial dos economistas virou frustrações.
3. As fontes do empresariado: nos países da ISI geralmente são empresários locais que voa começar a investir.
4. A Fase exuberante da ISI: a fase exuberante seria aquela da fase fácil (importação de maquinaria e insumos). Ele diz que havia um excesso de otimismo nessa fase e que alguns governos cometeram algumas extravagâncias, como é caso do Brasil quando JK decide fazer uma nova capital (a economia não poderia tolerar isso tudo – inflação).
As Críticas sobre o esgotamento da ISI. Hirshman diz que depois da “lua de mel” com a fase fácil vêm às decepções com a fase difícil. Para ele essas críticas são demasiadas pessimistas e que um pouco de política e de boa vontade os países podem superar esses obstáculos.
Para ele essas críticas surgem quando a fase fácil da ISI se esgota (os críticos falam que a ISI toda se esgota).
1. Critica Ingênua: os críticos falam que a uma exaustão do mercado, um esgotamento do mercado. Resposta de Hirschman: para ele se o país conseguiu gerar renda com a produção de um produto agrícola (no Brasil o café), com a fase fácil há também uma expansão da renda (expansão horizontal), pois um trabalhador que produz carros não consome somente carros, mas sim outros produtos.
2. Critica Semi-Ingênua: os críticos falavam que precisaria de uma demanda muito alta interna pelos insumos para que ocorresse uma economia de escala (para que os países começassem a produzir seus insumos próprios). Resposta de Hirshman: muitos insumos não são específicos de um único produto final, como o vidro que pode ser usado por vários produtores finais. Isso gera demandas mais espalhadas. Outro argumento é de que nem sempre plantas grandes necessariamente fazem economias de escala.
Hirschman introduz o conceito de indústria de estrangulamento. Seriam aquelas indústrias que necessitam de um grande mercado (e demandam grandes quantidades de insumos). Contudo, tais indústrias podem ser importantes porque possibilitaria o estabelecimento de pequenas indústrias para supri-la (efeito para trás). Ale disso, o resto da produção pode ser exportado através de políticas governamentais (como ocorreu de certa forma no Brasil). Ele conclui que dessa maneira as políticas públicas tomar um papel importante no processo de industrialização por ISI. O movimento “para trás” Ele diz que esse movimento para trás é muito importante para destruir obstáculos que a fase difícil da ISI impõe. Uma indústria, por exemplo, a automobilística do Brasil dos anos 50 e 60 de JK produziram um efeito “para trás”, onde foi possibilitada a instalação de várias indústrias decorrentes desse movimento
As indústrias da América Latina Para ele os industriais da América Latina tem desconfianças com insumos internos, até pelo motivo de qualidade. Eles têm resistências de substituir produtos importados, contudo essa substituição seria muito importante para economia do país produzindo um movimento “para trás” (expansão vertical) que possibilitaria o vencimento dos obstáculos da fase difícil.
Ele parte depois para o campo da sociologia e diz que os empresários sul-americanos não têm inclinação política, porem eles tomam algumas atitudes que possibilitam a produção de seus próprios insumos (pois isso não deixaria duvida na questão da qualidade dos insumos). Ele diz que os empresários quando já investiram suficientemente na horizontal (produtos finais) eles partem para investir verticalmente (efeito “para trás”). Fazem negócios familiares, montam fabricas de insumos para os filhos, etc.
**Ele lembra, portanto, que o processo não é tão simples como os críticos da ISI diz, pois não envolve somente economia (economias de escala, entre outros aspectos econômicos), envolve políticas públicas, a sociologia, etc. É um processo um tanto quanto complexo que os críticos não observaram e que atacaram já logo de inicio quando a fase exuberante (fase fácil) da ISI se esgotou – e não a ISI toda - e deu lugar para a outra fase.
A incapacidade de exportar: causas e remédios estruturais Ele diz que por natureza a ISI nasceu para substituir importações e não exportar, contudo ele apela para as seguintes características que as exportações facilitariam o processo da ISI.
1. Os países venceriam qualquer obstáculo relacionado ao tamanho do mercado interno.
2. Solucionaria as dificuldades cambiares que impediriam a operação de varias indústrias e o estabelecimento de novas.
3. A indústria nacional teria que manter altos níveis de qualidade e eficiência que op. mercado externo determina e impulsiona.
Ele diz que os países que tiveram a industrialização tardia (no final do século XIX) cresceram, com muita freqüência, a sombra de barreiras alfandegárias protetoras ao mesmo tempo em que fizeram esforços para exportar, conseguindo competitividade nos mercados internacionais. Ele indaga que se os países como Alemanha e Itália puderam lançar mão dessas políticas protecionistas, porque os países latino-americanos não o poderiam? Porque não incentivar o setor exportador, subsidiar novas indústrias e corrigir o câmbio para fomentar as exportações industriais?
Hirschman atenta também à importância de mercados comuns para a América Latina.
Ele termina seu artigo afirmando que seu trabalho, não nega as diversas dificuldades da ISI. Contudo ele desenvolveu algumas habilidades que ajudariam a solucionar os problemas que a fase difícil da ISI impõe.

Hirschman, Albert O. - La Economía política de la industrialización a través de la sustitución de importaciones en América Latina.
_do autor; "Descobri a fracassomania numa viagem ao Brasil, há mais de 30 anos. Toda vez que muda um governo os intelectuais brasileiros consideram que está tudo errado e é preciso começar tudo de novo." Nascido em Berlim em 1915 e vivendo nos Estados Unidos desde 1940, Albert O. Hirschman é um dos maiores economistas da actualidade. Tendo deixado a Alemanha aos dezoito anos, fez os seus estudos universitários em França e, em seguida, em Inglaterra e Itália. Militante antifascista, esteve na frente durante a Guerra Civil Espanhola e, mais tarde, alistou-se no exército francês, ajudando a expatriar os perseguidos políticos de França ocupada pelos alemães. Obrigado a partir para os Estados Unidos, tornou-se voluntário de guerra americano, primeiro em África e depois em Itália. Finda a guerra, leccionou em algumas das maiores instituições universitárias americanas, de Yale à Columbia University, de Harvard ao Institute for Advanced Studies de Princeton, tornando-se membro desta última. http://www.editorial-bizancio.pt/autores.php?id=82
_das imagens; Obras de OSWALDO GUAYASAMÍN - pintor equatoriano, nasceu em 1919, morreu em 1999, é um modernista e sua arte visa retratar o sentimento latino-americano. http://www.memorial.sp.gov.br/

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O Planejamento no Brasil – observações sobre o plano de metas (1956-1961) - Celso Lafer _ in resumo.

O objetivo de Celso Lafer é descrever os motivos que levaram Juscelino Kubsticheck a formular um planejamento em seu governo (1956-1961). O autor observa que até então só existiam propostas de planejamento, mas nenhum foi realmente implantado como no caso do Plano de Metas. Ele diz, portanto, que o Plano de Metas foi à primeira experiência efetivamente posta em prática de planejamento governamental no Brasil.
O processo de planejamento, embora seja único, pode ser dividido em fases distintas para a comodidade de análise. São três fases: a decisão de planejar, o plano em si e a implementação do plano. A decisão de planejar pode ser tomada como uma decisão política, pois é uma tentativa de alocar recursos, ou seja, uma prévia. O Plano em si é uma decisão técnica, pois analisa a situação econômica do Estado através da qual se testa a consistência e a compatibilidade da decisão de planejar. A implementação do plano é uma medida política, pois é onde se constata os resultados da tentativa da alocação de recursos.
A Decisão de Planejar - O autor argumenta o que foi que levou JK a formular um plano de governo. Ele chega à conclusão de que a situação política da época, onde se ampliou a participação política. Isso fez com que as massas tivessem mais poder político na época. Isso resultou o que o autor chamou de populismo, onde o governo (elite) para ganhar votos das massas, precisa propiciar uma melhora de vida para a população (manipulação de incentivos). Esse era um dos objetivos de JK. Outro fator é que havia um grande crescimento da população urbana.
JK afirmou que o Brasil não era um país agrícola e que precisava industrializá-lo. O plano de metas abrangia cinco grandes setores: energia, transportes, alimentação, indústrias de base e educação. O autor lança o conceito de ponto de estrangulamento, onde adquire a percepção de que existiam áreas de demandas insatisfeitas que estrangulavam a economia. Esse ponto justificou o planejamento dos setores de energia, transportes e alimentação.
O conceito de ponto de germinação era basicamente o contrário de estrangulamento, pois partia do pressuposto de que a oferta de infra-estrutura provocaria atividades produtivas. Esse conceito justificou a meta da Construção de Brasília, além da meta de transportes e investimentos em indústria de base.
O conceito de ponto de estrangulamento externo propiciou o planejamento da substituição de importações. O conceito de demanda derivada é que quando se constrói uma indústria de base, por exemplo, uma siderúrgica, isso vai dar estimulo a investimentos em indústria automobilística, o que por sua vez vai dar incentivos para as indústrias de borracha, etc. O conceito de ponto de estrangulamento de pessoal técnico justificou a meta educação (percepção de que faltariam - e já faltavam - técnicos em varias áreas).
O Plano em Si - O Plano de Metas procurou fixar para cada meta um objetivo. Por exemplo, a meta investimento em indústria de base tinha como objetivo acelerar o processo de industrialização no Brasil.
O Plano de metas foi um plano setorial e não global, pois envolvia cerca de ¼ da produção nacional. O ator conclui que parte dos recursos nacionais pôde ser alocada através dos mecanismos tradicionais do sistema político, o que facilitou a própria implementação do processo de planejamento.
A Implementação do Plano - A Administração Pública brasileira da época não viabilizaria a implementação do Plano se não fosse feitos alguns ajustes. A reforma da administração Pública de 1930 que introduziram o sistema de mérito falhou parcialmente, pois se verificou que 12% do funcionalismo público da época não eram concordados.
Para resolver tal problema JK tinha duas alternativas, uma foi apresentada pela CEPA (Comissão de Estudos e Planejamento Administrativo) que propunha uma reforma total da Administração Pública. Uma alternativa era a criação do GEAIA (Grupo executivo da Indústria Automobilística) que propunha a criação de uma Administração paralela à administração normal, formada por pessoal altamente tecnificadas.
JK optou pela segunda alternativa. Essa administração paralela era constituída por órgãos existentes ou criada por ele. Alguns existentes eram o BNDE, o Banco do Brasil (CACEX) e a Sumoc. Os órgãos criados por seu governo foram, por exemplo, os Grupos Executivos, do Conselho de Política Aduaneira. O autor afirma que esses órgãos transformaram-se em órgãos de ponta da administração pública brasileira, pois dentro do limites da economia da época, conseguiram controlar a execução do Plano de Metas.
O autor termina seu texto afirmando que dentro dos limites da economia brasileira da época o Plano de Metas de JK foi bem-sucedido. Um exemplo que ilustra a afirmação é a taxa média de crescimento do PIB em seus cinco anos de governo que foi de 7% que contrasta com a taxa media de 5,2% dos qüinqüênios anteriores. Outro dado é o de que o crescimento da renda per capta foi 3,9% em seu governo contra 2,1% dos qüinqüênios anteriores.


LAFER, B. M. (Ed.), Planejamento Econômico no Brasil, São Paulo: Perspectiva, 1973.
_do autor; Celso Lafer (1941) é um jurista brasileiro. Formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, com doutorado em Ciência Política pela Universidade de Cornell, nos Estados Unidos (1970), livre-docente em Direito Internacional Público na USP (1977) e professor titular de Filosofia do Direito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo desde 1988. Foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e ministro das Relações Exteriores em 1992 e de 2001 a 2002, nos governos de Fernando Collor e no de Fernando Henrique Cardoso, Embaixador do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU) de 1995 a 1998. Seu tio, Horácio Lafer, também foi ministro das Relações Exteriores durante o governo de Juscelino Kubitschek. Atualmente, é coordenador da área de Concentração de Direitos Humanos da Faculdade de Direito da USP, presidente do Conselho Deliberativo do Museu Lasar Segall e co-editor da revista Política Externa. Integra também o Conselho de Administração de Klabin e desde 2002 é membro da Corte Permanente de Arbitragem Internacional de Haia. Em 31 de agosto de 2007, foi nomeado pelo governador José Serra e assumiu a presidência da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo para um mandato de três anos. No dia 21 de julho de 2006, Celso Lafer foi eleito para ocupar a cadeira 14 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo ao jurista Miguel Reale, seu antecessor também na cadeira de Filosofia do Direito, na Universidade de São Paulo (USP). Também é membro da Academia Brasileira de Ciências e recebeu, em 2002, a mais alta condecoração da Ciência e Tecnologia do Brasil, a Ordem Nacional do Mérito Científico. Celso Lafer recebeu ainda condecorações do Ministério das Relações Exteriores, a Ordem do Congresso Nacional (Comendador, 1987), e várias outras honrarias similares dos governos do Brasil, Argentina, Bolívia, Equador, México, Panamá, Portugal e França, além de dois títulos de doutor honoris causa, da Universidade de Buenos Aires (2001) e da Universidad Nacional de Cordoba (2002), além de um Honorary Fellowship conferido pela Universidade Hebraica de Jerusalém em 2006.
_da Imagem;

sábado, 8 de novembro de 2008

A criança e o sábio.


Um dia uma criança chegou diante de um pensador e perguntou-lhe: "Que tamanho tem o universo?" Acariciando a cabeça da criança, ele olhou para o infinito e respondeu: "O universo tem o tamanho do seu mundo."
Perturbada, ela novamente indagou: "Que tamanho tem o meu mundo?" O pensador respondeu: "Tem o tamanho dos seus sonhos."

Cury, Augusto Jorge, 1958-Nunca desista dos seus sonhos
/Augusto Cury.-Rio de Janeiro: editora sextante, 2004

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Formação Econômica do Brasil; Celso Furtado – in resumo.

O Trabalho de Celso Furtado consiste principalmente em explicar a economia atual brasileira por fatores históricos que ocorreram no Brasil, desde sua forma de colonização (exploratória) como o tipo de mão-de-obra utilizada na produção nos primeiros séculos no Brasil.
Primeiramente, o Reino de Portugal desejava explorar metais preciosos da sua mais nova colônia, porém faltava-lhe recursos para tal. Contudo, como Portugal já possuía as técnicas de produção de cana de açúcar em suas ilhas do Atlântico, não foi difícil implantar uma economia movida à plantação de cana no Brasil, pois além da experiência na plantação cana, Portugal já realizava o comércio de escravos, resolvendo assim o problema da mão-de-obra.
O grande problema dessa economia, porém, é que ela funcionava diversamente de uma economia capitalista normal da época. Os meios de produção (inclusive os escravos) eram praticamente todos importados e a produção final era exportada. Por isso, não havia um fluxo de renda próprio aqui no Brasil, pois assalariados, que poderiam aumentar o fluxo de renda local, eram praticamente inexistentes.

A Holanda era parceira de Portugal na economia açucareira do Brasil. Servia como comerciante de açúcar em várias partes do mundo e também como investidora nos negócios da cana brasileira. Contudo quando Portugal rompe a parceria com a Holanda, aquele perde o monopólio da cana de açúcar, pois os holandeses logo trataram de fazer o plantio de cana em suas ilhas caribenhas, pois já possuíam conhecimentos técnicos devido à experiência adquirida com a parceria com Portugal.
A perda do monopólio da comercialização da cana de açúcar fez com que a produção declinasse e Portugal se prejudicasse economicamente. A saída de Portugal foi fazer parcerias com Inglaterra que funcionava da seguinte forma: Portugal compraria bens manufaturados da Inglaterra e esta importava vinho português. Além disso, a Inglaterra também fornecia a sua manufatura para o Brasil.
Vale ressaltar que essa economia exportadora escravista prejudicava o Brasil, pois como já fora dito o fluxo renda interno era muito baixo, pois trabalho escravo combinado ao sistema de importações não reflete na renda da coletividade interna. Assim sendo, a renda gerada pela produção do açúcar ficava quase em sua totalidade com os senhores de engenho, ou seja, uma altíssima concentração de renda. O restante da rende ficava com Portugal.
Com tudo isso citado acima, a produção de cana decaiu. A solução de Portugal foi à procura de metais preciosos no interior do país, claramente com ajuda inglesa. Há de se observar que apesar de a economia continuar exportadora escravista, houve uma significativa melhora para o Brasil, pois imigrantes europeus vinham trabalhar nas pequenas minas e isso gerava, mesmo que pequeno, um aumento do fluxo de renda local. Um ponto positivo para o Brasil decorrente da exploração mineira foi à criação e o crescimento de núcleos urbanos no interior do país. Um bom ganho para o Brasil decorrente disso também foi à expansão pecuária, pois servia como meio de transporte dos metais preciosos para os portos brasileiros como também de alimentação para os trabalhadores mineiros e os moradores locais.
Contudo, a exploração do ouro no Brasil declinava e como as margens de lucro eram bem menores do que a da plantação de cana de açúcar, a economia brasileira voltava a ser basicamente de
subsistência como anteriormente acontecera com o ciclo do açúcar.
Com a vinda da família real portuguesa no início do século XIX, o Brasil deixa de ser uma colônia de Portugal, o que de certa forma gera alguns benefícios para a economia local. Proclamado a Independência do Brasil em 1822, o país deixa de depender politicamente de Portugal, contudo herda a dependência econômica da Inglaterra.
O fato do Brasil não se ter tornado numa potencia industrial após sua independência, como ocorreu com os EUA, decorre de acordos com os ingleses no que se concerne à importação de produtos manufaturados. Além disso, o Brasil sofreu com a queda no valor das exportações e herdara dos portugueses os estímulos à importação de produtos manufaturados. Soma-se a isso o fato que no Brasil existia somente grandes produtores rurais que não estavam interessados em investimentos na indústria, diferentemente dos EUA, pois a sociedade lá era basicamente formada por pequenos proprietários interessados no investimento em manufaturas.
O Brasil só foi recuperar sua economia já na metade do século XIX com o cultivo do café, pois com ele o país se inseriria novamente no comercio mundial. Contribuiu para o cultivo em larga escala do café a emergência de uma nova classe empresária, onde se ocorrera
m mudanças políticas e sociais, como por exemplo, a criação de um mercado consumidor interno nos centros urbanos. Diferentemente dos senhores de engenho que dependiam de outros países para a comercialização de seu produto, os empresários do café, que se formaram juntamente com os núcleos urbanos como o de São Paulo, eram capazes de dominar quase todas as etapas do processo até a sua comercialização final. Além disso, os barões do café mantinham parcerias com o governo brasileiro e isso ajudou no progresso da economia do café. Soma-se a isso ainda, o fato de que após a proclamação da Republica em 1889, os empresários do café conseguiram ainda mais poder político em suas localidades.
Para resolver os problemas da mão-de-obra, o governo em parceria c
om os barões, incentivaram a política de imigração para este país. Os motivos porque os negros não eram suficientes na economia de exportação de café são basicamente dois: com a abolição da escravatura os negros, até por uma questão cultural, não estavam dispostos a trabalhar além de sua necessidade para sua subsistência, gerando falta de mão-de-obra pra cultura cafeeira. Outro fator importante é que a taxa de crescimento da raça negra era às vezes até negativa, pois a taxa de mortalidade dos negros era eventualmente mais alta que sua taxa de natalidade.
Essa mão-de-obra assalariada vai contribuir para uma considerável expansão de um mercado interno. Esses assalariados vão fazer com que o fluxo de renda passe a ser mais significativo internamente no Brasil.
Todo esse panorama econômico vai geral alguns conflitos sociais mais tarde.
Os senhores do café estavam interessados numa política cambial desfavorável para o Brasil, pois seu produto seria bem mais aceito no exterior. Contudo, os assalariados sofriam com essa política, pois muitos dos produtos de necessidades básicas eram importados e com essa desvalorização cambial ficavam mais caros. Isso tudo causava tensões sociais na época conhecida como República Velha (1889-1930), onde os detentores do poder econômico lutavam para conseguirem poderes políticos em suas localidades de interesses. Caso, por exemplo, do Sudeste ocorreu a hegemonia política dos barões do café. Os detentores dos poderes locais almejavam possuir o poder federal para que seu empreendimento fosse protegido politicamente. O exemplo que mais ilustra essa afirmação é o caso do grupo cafeeiro de São Paulo e os produtores de leite de Minas Gerais que se alternavam no poder federal, tomando medidas que protegessem seus negócios.
Apesar de todos esses conflitos, a cultura do café contribuiu largamente na expansão da economia brasileira, além de ajudar na formação dos grandes centros urbanos, pois apesar da gerar alguns conflitos sociais, essa economia não sucumbia a épocas de recessão, pois a exportação de café até se beneficiaria de uma condição desfavorável do cambio, como visto anteriormente. Contudo, como já fora dito, a renda da classe média era atacada e os conflitos sociais surgiam. Mas, mesmo assim o mercado interno não sofria tanto como numa crise de recessão da era açucareira, pois os empresários de café, eles mesmo e a classe de alto poder aquisitivo já eram capazes de gerar pelo menos um impulso suficiente para que fluxo de renda interna persistisse em nível pelo menos desejável.
A era cafeeira atinge seu auge na última década do século XIX e não demora muito para que sua queda aconteça. Os grandes lucros que os cafeicultores tinham faziam com que eles investissem mais na cafeicultura. E até o governo os estimulava. O problema é que acabou por ocorrer uma crise superprodução. A solução então encontrada pelo governo foi editada no “Acordo de Taubaté”, onde caberia ao governo comprar o excedente produtivo. O governo também aumentaria os impostos sobre a produção e, visando estabilizar o preço em longo prazo, o ele deveria desestimular a
criação de novas plantações.
Contudo, a economia mundial entra em colapso com a crise de 1929, e os estoques de café aumentaram e seu preço conseqüentemente diminui. Contudo, algumas situações peculiares fizeram com que os cafeicultores não quebrassem juntamente com a crise de 1929. Um dele é que a desvalorização da moeda veio com a desvalorização cambial, portanto ainda ficava viável exportar café. Além disso, já se havia um bom mercado interno onde os comerciantes souberam tirar proveito da delicada situação dos cafeicultores.
Contudo, houve um momento em que a queda dos preços superou a depreciação da moeda e, portanto ficava inviável exportar. A solução escolhida foi a queima do café para equilibrasse o mecanismo da oferta e da demanda, para que o preço do café se mantivesse. Essa política de manutenção de preço do café pode ser considerada um sucesso devido a seu efeito mais amplo. Uma vez que a economia brasileira estava fortemente ligada à exportação do café e, a política de manutenção dos preços fez com que fosse possibilitada essa continuidade de exportação, a economia brasileira não sofreu o choque como as demais economias mundiais, pois a destruição do café permitiu que a geração de renda fosse mantida e os salários dos trabalhadores também, portanto eles poderiam continuar consumindo produtos manufaturados.
Cita Furtado “(...) o que importa é ter em conta é que o valor do produto que se destruía era muito inferior ao montante da renda que se criava. Estávamos, em verdade, construindo as famosas pirâmides que anos depois preconizaria Keynes”. Portanto, mesmo que não havia uma política pré-estabelecida, tais atitudes tomadas pelo governo surtiram um bom efeito.
Mais tarde os setores que tinham capital para investir, claramente não o utilizaram para produzir café. Além disso, com
a desvalorização cambial os produtos importados tornaram-se demasiadamente caros para o consumo interno. Assim, criaram-se condições para a produção de produtos manufaturados no Brasil. Além desses fatores, outra que contribuiu foi que, com o fechamento de indústrias nos países desenvolvidos, foi-se possível à oferta de equipamento a preços convidativos. Alem disso, houve um crescente investimento em indústrias de base, que geraram condições para a instalação de outras industrias. Assim é que, de maneira totalmente inconsciente, implanta-se no país a primeira política de desenvolvimento industrial por meio de substituição de importações.
Com a Segunda Guerra Mundial as condições que favoreceram a expansão da indústria voltada para o mercado interno deixam de existir. Ao mesmo tempo, o setor exportador continua a se expandir. Contudo, a acumulação dessa renda monetária que vinha sendo obtida pelas exportações não podia ser utilizada, pois as importações estavam restringidas e a capacidade da produção interna atingiu sua capacidade máxima.
Com o final da Guerra, as importações voltaram a ser possibilitada. Contudo, a atitude do governo para incentivar a produção interna, foi a de manter o cambio estável (ao invés de permitir sua desvalorização). Com essa política o governo conseguiu que se restringissem as importações. O resultado dessa política não foi o melhor possível, contudo setores da economia foram beneficiados, principalmente o industrial.
No final de seu livro, Furtado atenta para que o Brasil invista mais em indústrias de bens de capital para que os pais não sejam tão inflexíveis a variações cambiais. Outro conselho é que se desenvolva políticas de industrialização em áreas menos desenvolvidas do país, como o Nordeste, pois segundo ele, esse é um dos únicos caminhos para que tais regiões possam se desenvolver.

Furtado, C. (1976). Formação econômica do Brasil, São Paulo, Editora Nacional._____________. (1989). A fantasia desfeita, Rio de Janeiro, Paz e Terra.

Do autor - “Se a vida pudesse ser desfiada em acelerado, eu lembraria que Celso foi jornalista aos 19 anos, funcionário público aos 23, advogado aos 24, doutor em economia aos 28; foi segundo tenente da FEB aos 24, pioneiro da Cepal aos 29, criador e superintendente da Sudene aos 39, ministro do Planejamento aos 42; foi professor de grandes universidades na Europa e nos Estados Unidos, embaixador e ministro da Cultura.” Rosa Freire d’AguiarPresidente cultural do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento.
http://www.centrocelsofurtado.org.br/
Das imagens;

terça-feira, 4 de novembro de 2008

I Fórum de Políticas Públicas Urbanas;

O espaço que temos é o que queremos?

Além do olho e boca - olhar e discurso, ver e sentir – deve-se priorizar a análise do trabalho incessante das mãos – representada pela desconstrução espacial como ação antrópica, para uma melhor compreensão da produção do espaço. É esse o objetivo específico do I Forum de Políticas Públicas Urbanas - a desconstrução do espaço: do olhar e do discurso à metamorfose, promovido pela Pró-Reitoria de Extensão da UFSCar através do Núcleo de Extensão UFSCar-Município e da Coordenadoria de Eventos Culturais.

Duas mesas redondas “Do olhar, falar e transformar o espaço: trabalhar o projeto pactuado” e “Da desconstrução à gestão do espaço e da paisagem: vivenciar a obra construída” compõem o evento e, ambas, podem refletir sobre a nova cara das cidades e de um espaço político convivial, como resposta ao espaço desejado.

Os debates devem estar marcados pela análise das possibilidades e perspectivas de abordagem da desconstrução do espaço físico, enquanto fato social inexorável. Pretende-se, assim, um aprofundamento do conhecimento da dinâmica do fenômeno espacial urbano criando subsídios ao entendimento da produção do espaço social, enquanto produto histórico, político e cultural.

O espaço enunciativo emerge, importando aí o lugar dos sujeitos determinados por ele. A desconstrução da materialidade do espaço, que põe a nu o cimento como a obra prima, e os sujeitos como coadjuvantes do processo, constitui uma reflexão imbuída do político. Assim uma manualidade engajada terá voz e espaço, tanto na produção de trabalho quanto na formulação do espaço público dele decorrente. http://www.forumpoliticaspublicas.ufscar.br/front-page

sábado, 1 de novembro de 2008


"O trabalho social precisa de mobilização das forças. Cada um colabora com aquilo que sabe fazer ou com o que tem para oferecer. Deste modo, fortalece-se o tecido que sustenta a ação e cada um sente que é uma célula da transformação do país".

"Nunca se deve complicar o que pode ser feito de maneira simples". (Dra. Zilda Arns)